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As 111 comarcas de Santa Catarina registraram 18.391 ações de crimes relacionados a violência contra a mulher registrado apenas entre janeiro e agosto de 2019. O número representa mais de 75 novos processos por dia. Atualmente, o Judiciário tem 40.995 processos em tramitação sobre o tema

Os números são contabilizados pela Cevid (Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Somente neste ano, 43 mulheres foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina, apontou evento – Foto: Edson Inacio/TJSC/DIvulgação/ND

Apenas neste ano, 43 mulheres foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina. Preocupado com a falta de atendimento aos agressores, o professor e assistente social Ricardo Bortoli criou em Blumenau grupos reflexivos para tratar os homens.

O tratamento consiste em 12 encontros, duas vezes por mês, em que a intenção é desconstruir o machismo. De 2004 a 2012, o professor realizou uma pesquisa com 122 homens e registrou os principais motivos para a violência apontados pelos agressores. O ciúme, a recusa de sexo e o fim do relacionamento estão entre as “justificativas” mais recorrentes.

Reflexão reduz medidas protetivas

Desde 2014, todos os 358 homens com medida protetiva em Blumenau foram encaminhados para os grupos reflexivos. O índice de reincidência é inferior a cinco casos.

“Enquanto não houver políticas públicas para que os homens revejam a sua masculinidade, continuaremos com dezenas de mortes por ano. Os homens autores da violência somos nós, que enraizamos todo o machismo presente nas instituições”, observou o professor e assistente social.

Na outra ponta do problema, a ONG Casas das Anas recebe as mulheres e seus filhos vítimas de violência. A coordenadora Mariana Torres Roveda dos Santos explicou que o número de denúncias poderia ser maior se as vítimas tivessem um local seguro para ir após o registro do boletim de ocorrência. Desde 2017, mais de 200 pessoas foram acolhidas nos abrigos de Balneário Camboriú e de Itajaí.

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Nas casas de acolhimento, as mulheres e crianças recebem bem mais do que uma cama e um prato de comida. “Trabalhamos no empoderamento das mulheres, porque muitas são dependentes financeiramente dos seus companheiros, explica a coordenadora.

Ela prossegue detalhando as ações: “Também damos atenção para que as mulheres não reproduzam a violência em seus filhos, para interromper esse ciclo que infelizmente tem início na infância”, comentou Mariana.

 

Jornalista do ND+, Schirlei Alves, foi uma das palestrantes do evento – Foto: Divulgação/TJSC

Evento em Florianópolis debate o tema

Interromper o ciclo de agressões contra as mulheres foi um dos objetivos do 1º Seminário Estadual de Enfrentamento da Violência contra a Mulher. O evento foi realizado entre os dias 16 e 18 deste mês.

A jornalista do ND+ Schirlei Alves estava entre as palestrantes. O seminário também discutiu o papel da imprensa no enfrentamento da violência contra as mulheres.

Para a jornalista Schirlei Alves, o papel da imprensa é promover o debate na sociedade e cobrar soluções dos entes públicos. Pontualmente, admite, incorre em erros também.

“A imprensa acaba expondo muito a vítima, mas por conta do sigilo das ações desta natureza o agressor não é mostrado. Essa é a nossa falha”, destacou.

Debate na escola

Em Palhoça, na Grande Florianópolis, o professor Robson Ferreira Fernandes, da EEB Ursulina de Sena Castro, debate com os alunos a cultura do machismo como causa do feminicídio. Os estudantes foram incentivados a entrevistar autoridades e pessoas comuns sobre o tema.

“O assunto deve ser debatido pela comunidade escolar. A masculinidade tóxica tem comportamentos que levam a agressão e, para mudar de atitude, os homens precisam tomar consciência de seus atos”, declarou.

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