Polícia apreendeu adolescente suspeito de dois dos três homicídios no local. Uma série de execuções que ocorreu na trilha da Cachoeira do Poção, no bairro

Córrego Grande, em Florianópolis, reacendeu uma preocupação entre as entidades de segurança da Capital catarinense: facções, anteriormente controladas pela ação da polícia, voltaram a atuar e com violência.

Em três semanas, dois homens e uma mulher foram encontrados mortos no local. O último caso aconteceu na madrugada deste sábado (2), quando uma mulher, ainda não identificada, foi executada a tiros na trilha. Os outros dois casos ocorreram nos dias 9 e 18 de outubro.

O titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Ênio Matos, atribuiu a responsabilidade dos três assassinatos a um grupo criminoso que atua no Morro do 25, comunidade localizada na região central de Florianópolis. O delegado, entretanto, não deu mais detalhes sobre a investigação.

No Comando do 4º Batalhão de Polícia Militar - que abrange o Centro, o Leste e o Sul da Ilha de SC -, o major André Serafim afirmou que a suspeita sobre a relação de criminosos da 25 com os três casos, se deu pela autoria dos dois primeiros homicídios, já que o principal suspeito mora na região:

— Um menor foi apreendido preventivamente como suspeito dos dois primeiros assassinatos. Ele é, supostamente, do Morro do 25. Em relação a mulher, se acredita que tenha ligação com os fatos anteriores pela semelhança como ocorreu, mas só com o resultado do IGP para confirmarmos.

Questionado sobre a possível soltura de um líder de facção ou se um novo chefe pode ter surgido para comandar a criminalidade na região central, o major afirmou que grupos criminosos nunca deixaram de agir, embora com menos frequência:

— Há dois anos tínhamos muitos confrontos e muitas mortes. Controlamos bem no ano passado e este ano. Mesmo assim, tivemos um caso no Sul da Ilha bastante parecido. E outros casos no Norte. O que percebemos é uma migração de área — explica.

De acordo com o major, há algum tempo era comum os corpos serem encontrados na trilha do Moçambique, na região Norte da Ilha. Com a mobilização de autoridades, a área foi iluminada e cercada, o que impôs algumas dificuldades para a concretização de delitos naquela região:

— Já estamos em contato com os responsáveis pela estruturação da área para dificultar a ação de facções também no Córrego Grande, com uma iluminação adequada, cercamento e câmera no início do trajeto, de modo que, se acontecer algo, logo consigamos identificar — afirmou.

Policiamento preventivo

Ao menos dois dos três assassinatos, ocorreram no local segundo o major André Serafim. Isso porque moradores das imediações relataram ter ouvido disparos de arma de fogo em duas ocasiões. Para conter a atuação criminosa na região, a Polícia Militar montou uma estratégia de policiamento ostensivo nas imediações, onde trabalha com equipes do BOPE e do Choque.

— Todas as pessoas executadas são vidas que foram tiradas, nos preocupam, e nossa intenção é reduzir os homicídios em 40% este ano, em relação ao ano anterior. Já baixamos os índices em 33% — disse.

Sobre a preocupação da comunidade, em relação às mortes, o major frisa que os homicídios registrados em 2019 tiveram a contribuição, de alguma forma, da vítima:

— Ou tinham alguma ligação com crimes, antecedentes policiais. Para o trabalhador não há com que se preocupar — concluiu.

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