Viagens mais procuradas são para o Marajó e Macapá. As buscas por viagens para o interior do Estado e cidades próximas não param. Nesta sexta-feira (19), por exemplo, o Terminal Hidroviário de Belém (THB) estava lotado logo no início da manhã, o que só foi mudar depois das 10h30, quando o local ficou com movimentação tranquila, segundo avaliação dos passageiros.Helenilda Castro, 43, tentou comprar uma passagem para viajar com a família às 8h para Ponta de Pedras, mas não conseguiu pela alta demanda. "Chegamos às 6h, mas não deu pra comprar a de 8h, já estava esgotado. Vamos só na de 13h" disse.
Seguindo a tradição familiar, que iniciou com seu bisavô, Helenilda estava acompanhada do filho e da nora. "Ir para Ponta de Pedras é muito bom, vou desde bebê e fui ensinada que devemos manter isso. A melhor parte é que ficamos na frente da praia, sempre com a família. Se não formos para lá, pra mim nem é férias" afirma.
Na companhia da namorada, o filho de Helenilda, Breno Castro, 26, avalia o município como "uma maravilha, uma paz". "Apesar dos shows à noite, dá para relaxar bastante" diz, recebendo o apoio da namorada. "A melhor parte é essa tranquilidade, típica de lá" completou Paola Muniz, 24.Morando em Belém por conta do doutorado, o professor Paulo Gomes, 25, também embarcou pelo THB nesta manhã. O destino dele, porém, foi Salvaterra, onde pretende passar 15 dias para matar a saudade do Marajó. "Lá é uma maravilha, né? É descanso, é paz, coisa que em Belém é complicado de conseguir" diz, ao explicar que, nessa temporada, prefere fugir da agitação. "Tem um fluxo maior, mas não como o das outras praias".
Professor Paulo GomesProfessor Paulo Gomes (Fábio Costa)Já a viagem da cozinheira Elizâmia Tavares, 26, que estava acompanhada da filha caçula, a Gabrielly, de cinco anos, era para um destino um pouco mais longe: Macapá. "São 24 horas de viagem de navio, mas já estou acostumada" conta Elizâmia que, para chegar ao THB, já havia enfrentado outra viagem. "Eu sou de Macapá, mas hoje moro em Abaetetuba por causa do meu marido. Então vim de lá para Belém, que durou umas três horas, e daqui vou para Macapá" disse.
Elizâmia faz viagens com a filha a cada seis meses para MacapáElizâmia faz viagens com a filha a cada seis meses para Macapá (Fábio Costa)Durante os 30 dias que vai passar na capital do Amapá, Elizâmia só quer matar a saudade da família e, principalmente, dos filhos que ficaram no município."Visitamos eles de seis em seis meses. É uma viagem cansativa, principalmente porque nas férias vai muita gente e a Gabrielly, como é prioridade, ainda precisa ir na rede comigo, porque não posso atar uma pra ela, mas tudo vale a pena" garante.Saindo do THB, outro porto, logo atrás do Ver-o-Peso, conhecido como "Porto Barcarena", também registrou movimentação intensa na manhã desta sexta. Segundo funcionários da Arcon (Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará), de 7h às 10h50, 1.308 pessoas já haviam embarcado para Barcarena por lá. No local, viagens para Cotijuba também são realizadas e todos os barcos saíram com lotação máxima durante a manhã.Uma das pessoas que viajou para Cotijuba foi a aposentada Flori Nascimento, de 79 anos, e com direito a uma companhia especial: a cachorra Lili, de três meses, que também pegou a embarcação.
Flori Nascimento e a cadela LiliFlori Nascimento e a cadela Lili (Fábio Costa)"Nós temos casa em Cotijuba e a Lili, apesar de não ir para a praia, sempre está conosco. Levamos tudo para ela: pratos, água, comida. Ela tem de tudo e adora ir" conta Flori, ao garantir que, na embarcação, Lili se comporta melhor do que em casa. "Lá ela fica agitada, mas aqui... só vocês vendo! É tranquilíssima!".